A coisa toda, é que eu gostava do drama do cansaço. Gostava de ter essa desculpa pra ficar em casa. Me sentia dona do meu nariz. Estava pagando meu aluguel, pagando minhas compras mensais, meus chopps ocasionais. Trabalhava numa empresa renomada, tinha um cargo bom.
Eu estava bem. Mas, como sempre, faltava algo. White ~ fucking ~ girl problems. Eu sei, gente. Tenho uma certa dose de auto-crítica, como já devem ter percebido. A coisa toda é que eu me sentia numa ilha. Brincadeira. Eu me sentia s o z i n h a... { Era nisso que você queria chegar o tempo todo? ... } Bom, e eu me sentia bastante culpada por isso. Sabe, quando você se sente solitária e percebe que quer ficar sozinha pra pensar sobre isso? Solidão alimenta solidão.
Eu costumava dizer que Florianópolis tinha uma coisa um pouco parecida com a ilha de Lost. Eu não sei se são os vários sambaquis espalhadas pela ilha ou mesmo toda a carga de bruxaria que ela carrega - sim, bruxaria, isso mesmo -, mas é como se a ilha te conhecesse. Ela não se esforça pra fazer você amá-la e na maioria das vezes você faz isso logo de cara. Mas ela não tem medo de cuspir em você. Ela quer algo em troca. E você, provavelmente, não sabe o que é. Eu estava buscando isso.
Muitas pessoas me diziam que a Ilha tinha uma carga muito pesada, que Floripa era um lugar de passagem, as pessoas não se sentiam dali e por isso aquele lugar era, muitas vezes, hostil. Você tinha que ser bom com a ilha, e então ela seria boa com você. E eu comecei com o pé direito.
Nunca tive muitas dificuldades pra fazer amizades, sou dessas que tenho amigos muito diferentes entre si e que as pessoas se sentem a vontade pra conversar. Tranquila, é o que costumam dizer. Cheguei e fiz algumas amizades no trabalho. Nos divertíamos muito. Cervejas, pastéis e praias no verão. Vinho e muita comida no inverno.
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